Glossário de termos budistas: Letras F – J

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Faculdade sensorial Um poder interior localizado no exato centro de um órgão sensorial cuja função é produzir diretamente uma percepção sensorial. Existem cinco faculdades sensoriais, uma para cada tipo de percepção sensorial, a visual etc. São também denominadas “faculdades sensoriais que possuem forma”. Consultar Como Entender a Mente.

Famílias búdicas As cinco principais são as famílias de Vairochana, Ratnassambhava, Amitabha, Amoghassidhi e Akshobya. Elas são, respectivamente, os cinco agregados purificados – forma, sensação, discriminação, fatores de composição e consciência; e as cinco excelsas sabedorias – a excelsa sabedoria espelho, a excelsa sabedoria da igualdade, a excelsa sabedoria da realização individual, a excelsa sabedoria de executar atividades e a excelsa sabedoria do Darmadhatu. Consultar Grande Tesouro de Mérito.

Fator mental Conhecedor que apreende, principalmente, um atributo particular de um objeto. Há 51 fatores mentais específicos. Cada momento da mente contém em si uma mente primária e vários fatores mentais. Ver mente primária. Consultar Como Entender a Mente.

Fator mental virtuoso que serve principalmente para eliminar a antifé. Fé é uma mente naturalmente virtuosa, cuja função principal é se opor à percepção de falhas no seu objeto observado. Existem três tipos de fé: fé de acreditar, fé de admirar e fé de almejar. Consultar Como Transformar a sua Vida.

Felicidade Existem dois tipos de felicidade: mundana e supramundana. A primeira é a felicidade limitada que pode ser encontrada no samsara, como a felicidade de humanos e deuses. A segunda é a felicidade pura da libertação e da iluminação.

Felicidade mundana Felicidade limitada que pode ser encontrada no samsara, como a felicidade de humanos e deuses.

Felicidade supramundana A felicidade pura da libertação e da iluminação.

Fenômeno contaminado Qualquer fenômeno que faça surgir delusões ou cause seu aumento. Exemplos: ambientes, seres e prazeres do samsara. Consultar Caminho Alegre da Boa Fortuna.

Fenômeno dependente-relacionado Qualquer fenômeno que existe na dependência de outros fenômenos. Todos os fenômenos são dependente-relacionados, porque dependem de suas partes. Dependente-relacionado (ten drel, em tibetano) tem o mesmo significado que originação dependente (ten jung, em tibetano), mas, às vezes, o segundo termo quer dizer surgir na dependência de causas e condições. Consultar Caminho Alegre da Boa Fortuna.

Fenômeno negativo Um fenômeno que só pode ser compreendido pela eliminação explícita de um objeto de negação. Há dois tipos: fenômenos negativos afirmativos e negativos não-afirmativos. Uma negativa não-afirmativa é um fenômeno que não implica outro fenômeno positivo. A vacuidade é um exemplo, porque ela é compreendida por uma mente que nega diretamente a existência inerente, seu objeto de negação, sem compreender nenhum outro fenômeno afirmativo. Consultar Novo Coração de Sabedoria.

Fenômeno permanente É aquele que não depende de causas e que não se desintegra momento a momento. Fenômenos são permanentes ou impermanentes.

Fogo interior (Tummo, em tibetano) Calor interior localizado no centro do chakra umbilical. Consultar Grande Tesouro de Mérito e Novo Guia à Terra Dakini.

Fonte-fenômeno Um fenômeno que só aparece à percepção mental.

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Geshe Título concedido nos monastérios kadampa para eruditos budistas com certas qualificações. Forma abreviada das palavras ge wai she nyen, em tibetano, que significam literalmente “amigo virtuoso”.

Geshe kadampa Ver Geshe

Gota indestrutível A gota mais sutil, localizada no coração. Ela é formada pela essência das gotas branca e vermelha recebidas dos nossos pais na concepção, e engloba a mente muito sutil e seu vento montaria. Essas gotas branca e vermelha não se separam até a hora da morte, quando então se abrem, permitindo que a mente muito sutil e seu vento partam para a próxima vida. Consultar Solos e Caminhos Tântricos e Clara Luz de Êxtase.

Gotas A essência do sangue e do esperma. Quando as gotas se derretem e fluem pelos canais interiores, dão origem a uma experiência de êxtase. Consultar Solos e Caminhos Tântricos e Novo Guia à Terra Dakini.

Grande compaixão Uma mente que deseja proteger todos os seres sencientes do sofrimento. Geralmente, existem três tipos: compaixão que observa os seres sencientes, compaixão que observa os fenômenos e compaixão que observa o inobservável. O primeiro tipo é a compaixão que surge ao observarmos o sofrimento dos seres vivos. O segundo tipo é a grande compaixão induzida e acompanhada por uma realização da impermanência, e a terceira é a grande compaixão induzida e acompanhada por uma realização da vacuidade. A primeira é uma grande compaixão que não é qualificada por nenhuma destas realizações. Consultar Oceano de Néctar.

Grande êxtase espontâneo Êxtase especial produzido pelo derretimento das gotas no canal central. É alcançado quando controlamos nossos ventos interiores. Consultar Solos e Caminhos Tântricos e Grande Tesouro de Mérito.

Grande libertação Sinônimo da grande iluminação, ou budeidade.

Guhyasamaja Uma deidade do tantra ioga superior.

Guia ao caminho do meio Texto budista mahayana composto pelo grande erudito e iogue indiano Chandrakirti. Apresenta uma explicação clara e completa da visão madhyamika-prassangika sobre a vacuidade, conforme é ensinada nos sutras Perfeição de Sabedoria. Consultar Oceano de Néctar.

Guia do estilo de vida do Bodissatva Texto clássico do budismo mahayana, escrito pelo grande iogue e erudito indiano Shantideva. Apresenta todas as práticas de um Bodissatva, desde a geração inicial da bodichita até a conclusão da prática das seis perfeições. Consultar Guia do estilo de vida do Bodissatva. Para um comentário completo, consultar Contemplações significativas.

Guia Espiritual Guru, em sânscrito e Lama, em tibetano. Professor que nos guia ao longo do caminho espiritual. Consultar Caminho Alegre da Boa Fortuna.

Guru Termo sânscrito para Guia Espiritual.

Guru raiz Principal Guia Espiritual, que nos concedeu iniciações, instruções e transmissões orais da nossa prática central. Consultar Grande Tesouro de Mérito.

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Hashang Monge chinês do século XII que propagou muitas opiniões incorretas no Tibete. Segundo sua interpretação, Buda ensinou que, para entender a vacuidade, é preciso esvaziar a mente de todas as concepções e meditar no nada. Ele foi publicamente derrotado em debate por Kamalashila e banido do Tibete. Consultar Oceano de Néctar.

Heróis e heroínas Heróis são deidades tântricas masculinas que corporificam o método. Heroínas são deidades tântricas femininas que corporificam a sabedoria.

Heruka Uma das principais deidades do tantra-mãe. É a corporificação do êxtase e da vacuidade indivisíveis. Tem o corpo azul, quatro faces e doze braços, e abraça sua consorte, Vajravarahi. Consultar Novo Essência do Vajrayana..

Hinayana Termo sânscrito para “pequeno veículo”. A meta deste caminho é atingir tão-somente a libertação pessoal do sofrimento por meio do completo abandono das delusões. Consultar Caminho Alegre da Boa Fortuna.

Hipocrisia (pretension) Fator mental deludido que, motivado por apego à riqueza ou à reputação, pretende ter qualidades que, de fato, não possui.

Humildade Fator mental virtuoso que atua, principalmente, para reduzir o orgulho deludido.

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Ignorância Fator mental confuso sobre a natureza última dos fenômenos.

Iluminação O termo refere-se, em geral, à plena iluminação de um Buda. Existem três tipos de iluminação: a pequena iluminação de um Ouvinte, a iluminação mediana de um Conquistador Solitário e a grande iluminação de um Buda, ou budeidade. Uma iluminação é uma libertação e uma verdadeira cessação. Consultar Caminho Alegre da Boa Fortuna e Clara Luz de Êxtase e Oceano de Néctar.

Imagem genérica Objeto aparecedor de uma mente conceitual. A mente conceitual confunde a imagem genérica com o próprio objeto. Por exemplo, se pensarmos em nossa mãe, uma imagem dela aparecerá à mente conceitual. Para essa mente, é como se nossa mãe em pessoa estivesse aparecendo. No entanto, o objeto principal que aparece é a imagem genérica da nossa mãe. Essa imagem genérica aparece pela exclusão mental de todos os objetos que não são nossa mãe. Trata-se, portanto, da aparência de uma não-não-mãe. Essa imagem, como todas as imagens genéricas, é um fenômeno permanente, ao passo que nossa mãe, ela própria, é impermanente. Consultar Como Entender a Mente.

Imagem mental Ver imagem genérica.

Impermanência Fenômenos podem ser permanentes ou impermanentes. Impermanente significa momento a momento, transitório; assim, um fenômeno impermanente é produzido e se desintegra dentro de um instante. Fenômeno impermanente, coisa funcional e produto são sinônimos. Existem dois tipos de impermanência: densa e sutil. A densa é a que se percebe por meio da percepção sensorial comum – por exemplo, o envelhecimento e a morte de um ser senciente. Impermanência sutil é a desintegração de uma coisa funcional que ocorre momento a momento. Consultar Novo Coração de Sabedoria.

Impermanência sutil Ver impermanência.

Imputação, mera De acordo com a escola de filosofia budista superior, a madhyamika-prassangika, todos os fenômenos são meramente imputados pela concepção na dependência das suas bases de imputação. Portanto, os fenômenos são meras imputações e não existem do seu próprio lado. Consultar Novo Coração de Sabedoria.

Indra (deva, em sânscrito) Um dos deuses mundanos.

Iniciação Um poder potencial para obter qualquer dos quatro corpos de Buda, recebido pelo praticante do seu Guru ou de outros seres sagrados, num ritual tântrico. É a porta de entrada para o caminho vajrayana. Consultar Novo Guia à Terra Dakini, Clara Luz de Êxtase e Grande Tesouro de Mérito.

Intenção Fator mental cuja função é mover sua mente primária para o objeto. Serve para envolver a mente com objetos virtuosos, não-virtuosos ou neutros. Todas as ações corporais e verbais são iniciadas pelo fator mental intenção. Consultar Como Entender a Mente.

Intenção superior Determinação de tomar para si a responsabilidade de libertar os outros seres do sofrimento e conduzi-los à felicidade perfeita. Consultar Caminho Alegre da Boa Fortuna.

Inveja Fator mental deludido que sente desgosto ao observar os prazeres, as boas qualidades ou a boa sorte dos outros. Consultar Como Entender a Mente.

Ioga Termo usado para várias práticas espirituais que requerem uma visão especial, como por exemplo, o Guru ioga e os iogas de comer, dormir, despertar e experimentar néctar. Ioga significa também uma união, como a união do tranqüilo-permanecer e da visão superior. Consultar Novo Guia à Terra Dakini.

Iogue / ioguine Palavras sânscritas usadas para designar um meditador ou uma meditadora que alcançaram a união do tranqüilo-permanecer e da visão superior.

Irmãos e irmãs vajra Praticantes que receberam a iniciação do tantra ioga superior de um mesmo mestre tântrico, seja numa mesma cerimônia ou em diferentes ocasiões.

Ishvara Um deus da Terra Controladora de Emanações, o estado mais elevado de existência do reino do desejo. Ishvara possui poderes miraculosos que, embora limitados e contaminados, fazem dele o ser mais poderoso do reino do desejo. Quem confia em Ishvara pode receber alguns benefícios temporários, como riquezas e bens; mas o Ishvara irado é um inimigo daqueles que buscam a libertação e atrapalha seu progresso espiritual. Assim, ele considerado um tipo de demônio Devaputra. Ver demônio.

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Je Phabongkhapa (1878-1941) Grande lama tibetano, uma emanação de Heruka. Foi o detentor de muitas linhagens do sutra e do mantra secreto.

Je Tsongkhapa (1357-1419) Emanação de Manjushri, o Buda da Sabedoria, cujo aparecimento no Tibete do século XIV, como um monge e detentor da linhagem da visão e dos feitos puros, foi profetizado por Buda. Difundiu o puro Budadharma por todo o Tibete, mostrando como combinar as práticas de sutra e tantra e como praticar o puro Darma em tempos degenerados. Posteriormente sua tradição ficou conhecida como Gelug ou Ganden. Consultar Joia coração e Grande Tesouro de Mérito.

Joia-dos-desejos Joia legendária que, como a lâmpada de Aladim, satisfaz todos os desejos.