06 fevereiro 2019

A HISTÓRIA DE BUDA É TAMBÉM A NOSSA HISTÓRIA

Um belo e sincero balanço da Celebração Escocesa de Dharma do final de semana passado, por um aluno inspirado

Situada no local histórico de Stirling, pessoas viajaram de toda a Escócia e arredores para participar da Celebração Escocesa de Dharma deste ano.

Encontramos céu aberto, montanhas nevadas e cervos percorrendo tranquilamente os campos enquanto chegávamos saudando velhos amigos e fazendo outros novos.

Na introdução, Gen Tubchen, Professor Residente do CMK Glasgow, encorajou-nos a desfrutar de uma folga espiritual de nossa mente comum e agitada, e deu um belo e claro ensinamento sobre como desenvolver fé na existência de seres iluminados e no nosso próprio potencial para iluminação.

Na manhã seguinte, tivemos a oportunidade de meditar nesse potencial com Kelsang Osung, Professora Residente no CMK Aberdeen, a qual nos encorajou a não hesitarmos e a nos permitirmos mergulhar nesta mente de fé. Ela listou as muitas qualidades dos seres iluminados, como as suas mentes são completamente puras, livres de obstruções, irradiam compaixão e permeiam tudo, completamente. Ela, então, nos instigou a seguir o conselho de Venerável Geshe-la de nos regozijarmos na completa pureza dos seres iluminados, de acreditarmos que eles estão presentes e de desejarmos nos tornar exatamente como eles.

Com o sol batendo nos lindos altares preparados pelo CMK Edimburgo, tudo ficou banhado de luz.

Durante a iniciação, ouvimos a história de Buda Shakyamuni e como ela é relevante para nós hoje. Kadam Bridget nos ajudou a entender que a história de Buda é, também, nossa história. Ela explicou como podemos trazer os ensinamentos de Buda sobre as Quatro Nobres Verdade para nossas vidas modernas, e como transformar a vida diária em caminho espiritual.

Então, chegou a hora da iniciação propriamente dita, a qual Kadam Bridget gentil, porém poderosamente, guiou como uma meditação extasiante e profunda. Ao final, todos nós sentimos uma paz especial em nossos corações, e sentimo-nos muito mais próximos de Buda e de nosso próprio potencial para a iluminação.

No intervalo, houve uma caminhada ao monumento Wallace em uma colina próxima, onde avistamos antigos campos de batalha das Terras Altas. O ar era límpido e revigorante, e foi uma grande oportunidade para conhecer pessoas diferentes frequentando o festival.

Na sessão de ensinamentos que se seguiu, Kadam Bridget compartilhou o primeiro ensinamento de Buda - as Quatro Nobres Verdades -, dadas no parque dos cervos, em Sarnath. As aulas foram extremamente profundas, analisando as dezesseis características das Quatro Nobres Verdades e como elas podem ser a nossa aplicação prática de refúgio. Mergulhamos na verdade dos sofrimentos, impermanência e carma para desenvolvermos a mente de renúncia. Ficamos estupefatos com as palavras do Venerável Geshe-la, "a prisão e o prisioneiro são o mesmo", com as quais reconhecemos que nossos corpos e mentes, contaminados por delusões, são, eles próprios, o nosso samsara. "Assim como bolhas d'água surgem da própria água, e não de fora dela, nossas sensações e sentimentos dolorosos surgem de nossos agregados contaminados, e não de fora deles."

Começamos a ansiar por abandonar nosso fardo e a pôr um fim ao sofrimento por meio de alcançar cessação verdadeira - procurar um oásis de paz, libertação completa da confusão, verdadeira libertação - através das realizações da vacuidade e da ausência do em-si. Uma transformação completa, possível unicamente por estarmos sempre mudando e por sermos impermanentes.

Para concluir o final de semana, a Sangha ordenada tomou novamente seus votos, exatamente como os primeiros discípulos de Buda. Depois de um final de semana tão rico, transformados irreversivelmente por nossas atividades espirituais, e apreciando nossa grande boa fortuna, começamos, cada um de nós, a nossa caminhada adiante, levando ensinamentos e força espiritual renovada em nossos corações.