Novo Coração de Sabedoria

Um comentário ao Sutra Coração

Por Geshe Kelsang Gyatso

compre este livro online

leia um trecho

O Sutra do Coração é provavelmente o discurso mais conhecido de Buda; e, no entanto, revela um aspecto de seu ensino – verdade última, a vacuidade – que é um dos mais difíceis de realizar.

Neste livro extraordinário, Geshe Kelsang nos leva linha a linha através do Sutra e explica seu significado oculto com notável clareza.

O estudo sincero deste livro estabelece uma base sólida para a meditação sobre a vacuidade da verdade última, o que leva à completa erradicação da ignorância do agarramento ao em-se, e à experiência de permanente paz interior.

O livro também inclui uma prática especial baseada na recitação do Sutra para superar obstáculos e obstáculos.

“Para os estudiosos sérios do budismo, seria difícil encontrar um livro melhor.” – THE MIDDLE WAY


Compre este livro na Tharpa Brasil
Compre este livro na Tharpa Canadá
Compre este livro na Tharpa EUA
Compre este livro na Tharpa Inglaterra


Tudo é Como num Sonho

Outra analogia frequentemente utilizada para ilustrar o significado da vacuidade é a experiência de sonhar. Quando sonhamos, podemos ter experiências extremamente vívidas. Podemos viajar para terras pitorescas, encontrar pessoas bonitas ou apavorantes, envolvermo-nos em diversas atividades e, como resultado, experienciar grande prazer ou sofrimento e dor. Em nosso sonho, um mundo por inteiro aparece para nós, funcionando do seu próprio modo. Esse mundo pode ser semelhante ao mundo do nosso estado de vigília ou pode ser bastante bizarro, mas em ambos os casos, ele aparecerá como sendo completamente real enquanto estivermos sonhando. É muito raro ter a mais leve suspeita de que o que estamos experienciando é apenas um sonho. O mundo que habitamos em nosso sonho parece ter sua própria existência, completamente independente de nossa mente, e reagimos a esse mundo da maneira a que estamos habituados – com desejos, raiva, medo e assim por diante.
Se, enquanto ainda estivermos sonhando, tentarmos examinar se o mundo que estamos experienciando é verdadeiro ou não – por exemplo, tocando os objetos ao nosso redor ou fazendo perguntas para as demais pessoas em nosso sonho – provavelmente receberemos uma resposta que parecerá confirmar a realidade do ambiente do nosso sonho. Na verdade, o único modo para saber com toda a certeza que estamos sonhando é acordar. Então, realizaremos imediatamente, sem nenhuma dúvida, que o mundo que estávamos experienciando em nosso sonho era enganoso e que era meramente uma aparência para a nossa mente. Fica bastante claro, uma vez que estejamos acordados, que o que experienciávamos no sonho não existe do seu próprio lado, mas depende completamente da nossa mente. Por exemplo, se sonhamos com um elefante, o “elefante sonhado” é meramente uma aparência para a nossa mente e não pode ser encontrado dentro de nosso quarto ou em qualquer outro lugar.
Se verificarmos cuidadosamente, compreenderemos que o modo como nosso mundo da vigília existe é semelhante ao modo como nosso mundo do sonho existe. Assim como o mundo do sonho, nosso mundo do estado acordado aparece vividamente para nós e parece ter sua própria existência, independente da nossa mente; e, assim como num sonho, acreditamos nessa aparência como sendo verdadeira e reagimos com desejos, raiva, medo e assim por diante. Se verificarmos cuidadosamente, compreenderemos que o modo como nosso mundo da vigília existe é semelhante ao modo como nosso mundo do sonho existe. Assim como o mundo do sonho, nosso mundo do estado acordado aparece vividamente para nós e parece ter sua própria existência, independente da nossa mente; e, assim como num sonho, acreditamos nessa aparência como sendo verdadeira e reagimos com desejos, raiva, medo e assim por diante. Se, também, verificarmos superficialmente nosso mundo da vigília, assim como fizemos com o nosso mundo do sonho para ver se ele realmente existia do modo como aparecia, receberemos mais uma vez uma confirmação aparente de nossa percepção. Se tocarmos os objetos ao nosso redor, eles aparecerão ser bastante sólidos e reais; e se perguntarmos às pessoas, elas dirão que veem os mesmos objetos do mesmo modo que os vemos. Entretanto, não devemos tomar essa aparente confirmação da existência inerente dos objetos como conclusiva, porque sabemos que testes semelhantes não puderam revelar a real natureza do nosso mundo do sonho. Para compreender a verdadeira natureza do nosso mundo do estado acordado, devemos investigar e meditar profundamente, utilizando o tipo de análise que já foi explicada. Quando realizarmos a vacuidade por esses meios, compreenderemos que os objetos, como o nosso corpo, não existem do seu próprio lado. Assim como o elefante no sonho, eles são meras aparências para a nossa mente. Embora nosso mundo funcione seguindo suas próprias regras aparentes de acordo com as leis de causa e efeito, o nosso mundo do sonho também funciona de acordo com seu próprio modo.
A experiência de realizar a vacuidade pode, portanto, ser comparada a acordar. Uma vez que realizemos a vacuidade, veremos claramente e sem nenhuma dúvida que o mundo tal qual o experienciávamos antes era enganoso e falso. Ele aparecia como tendo sua própria existência inerente, mas, ao compreender a vacuidade, realizamos que ele é completamente vazio de existência inerente e depende da nossa mente. De fato, Buda é algumas vezes chamado de “O Desperto” porque acordou do “sono” da ignorância.

© Geshe Kelsang Gyatso & Nova Tradição Kadampa