O treino da união das duas verdades possui três diferentes níveis. Um é de acordo com a prática do sutra, o segundo de acordo com o tantra ação e o terceiro de acordo com o tantra ioga superior.

No sutra, Buda explicou em mais detalhes como compreender as duas verdades. Primeiro, explicou a verdade última e a verdade convencional em separado, depois como compreender a união dessas duas verdades e, então, como compreender que essa união das duas verdades é uma mesma natureza inseparável. Elas são cada vez mais sutis – cada vez mais profundas.

Compreender a vacuidade em si é até fácil. A verdade convencional sutil é mais difícil. A união das duas verdades, quer dizer compreender que essas duas verdades são uma natureza inseparável, é mais sutil, profundo. Ontem, eu disse que quando realizamos a união das duas verdades, nosso entendimento da vacuidade se completa.

No Sutra Coração está dito:

“A vacuidade não é outra do que a forma; a forma não é outra do que a vacuidade”.

Isso mostra claramente que essas duas verdades são uma natureza inseparável. Ontem, eu também disse que nosso corpo, por exemplo, é uma verdade convencional e a vacuidade do nosso corpo é uma verdade última. O que é a vacuidade do nosso corpo? É a mera ausência do nosso corpo que normalmente vemos. Assim, a vacuidade do nosso corpo é uma verdade última e o corpo propriamente dito é uma verdade convencional, mas essas duas verdades são uma mesma natureza inseparável. Não há outro corpo além da vacuidade, e não há uma vacuidade do corpo outra que o corpo.

Isso não é fácil, a não ser que contemplemos e meditemos profundamente e com regularidade; então, gradualmente compreenderemos. Por fim, compreendemos que nosso corpo não existe fora da vacuidade. Ele é apenas mero nome. Corpo é apenas mero nome. Esse mero nome e vacuidade são o mesmo.

Individualmente, podemos primeiro estudar o tema da vacuidade, depois, a verdade convencional e, então, a união dessas duas verdades, que também foram explicadas em muitos outros livros, especialmente no terceiro capítulo do Mahamudra Tantra, intitulado O que é a vacuidade?, e no livro Transforme sua vida, e em muitos outros livros.

Escrevi isso em todos esses livros porque penso que quanto mais os livros contiverem essas explicações, mais pessoas terão acesso a elas! Essa é nossa generosidade, nosso presente de Darma; porque se houvéssemos colocado isso apenas em um livro, alguns veriam este livro, outros não; mas colocando em todos os livros, isso aparecerá para todos os que ganharem um livro!

Assim, essa é a nossa generosidade de sabedoria, distribuindo sabedoria. Diretamente, as pessoas recebem um livro em suas mãos, mas, com isso, sempre que lerem o livro, sua sabedoria crescerá. Portanto, nosso real presente é a sabedoria. Somos “distribuidores” de sabedoria. Nossas “editoras” são editoras de sabedoria! Somos benfeitores de sabedoria. Somos destruidores da ignorância!

Do nosso lado, não estamos destruindo os seres sencientes mães. Nunca destruímos seres sencientes mães. Nunca ficamos com raiva dos seres sencientes mães. Se quisermos realmente ficar com raiva, devemos ficar com raiva das nossas delusões, da nossa ignorância. Então, por tais razões benéficas, vocês vão encontrar esse assunto em cada livro, em muitos livros!

Assim, para compreender o que significa a verdade convencional, o que significa a verdade última e como essas duas verdades são uma única natureza inseparável, primeiro, temos que ler ou ouvir atenciosamente os ensinamentos de Darma; ou ler livros. Depois, devemos tentar compreender isso do nosso próprio lado e obter uma experiência por meio de contemplação. Quando pensarmos que Buda disse a verdade – “que a vacuidade não é outra do que a forma e que a forma não é outra do que a vacuidade” – teremos realizado que: Meu corpo não é diferente que a vacuidade do meu corpo; a vacuidade do meu corpo não é diferente que meu corpo. Esses dois não são separados. Eles são uma única natureza inseparável. Quando compreendermos e experienciarmos isso do nosso próprio lado, então devemos meditar. Devemos reter esse conhecimento sem nos esquecer, e contemplar e meditar até obtermos uma profunda familiaridade.

Assim, gradualmente entenderemos que tudo o que existe está dentro da vacuidade, não fora – mas, que também não é diferente da vacuidade. Na realidade, é a própria vacuidade, a verdade última em si. Isso é a união. “União” significa que aquilo que antes era dois, agora tornou-se um – a própria verdade última.

Então, nesta meditação ou concentração, para nós todos os fenômenos são iguais na vacuidade. Portanto, no Sutra Perfeição de Sabedoria, Buda disse que o treino da união das duas verdades é denominado “o treino de equalizar o samsara e o nirvana”.

Parece impossível – como podemos equalizar samsara e nirvana, uma vez que o samsara é a natureza do sofrimento e o nirvana é o oposto do samsara? Como podemos equalizá-los? Mas o samsara não é diferente que a vacuidade, e o nirvana não é diferente que a vacuidade. Na vacuidade eles são iguais. Não existem estas coisas opostas; elas não existem na vacuidade. Tudo – vacuidade e mero nome.

Mero nome em si também não é diferente que vacuidade. Assim, na vacuidade tudo se torna igual, apaziguado e confortável. È uma experiência incrível, uma grande experiência. No sutra, o treino da união das duas verdades é denominado “o treino de equalizar o samsara e o nirvana”.